quinta-feira, 27 de agosto de 2009

SEMANA 7 - SEMANA DA FAMÍLIA - CAPÍTULO 5


CRIANÇAS DOENTES E A FAMÍLIA


Todos os indivíduos que cuidam de uma criança doente (familiares, amigos, médicos, enfermeiros e outros profissionais) encontram-se sob um estresse incomum. Ver que uma outra pessoa está doente é doloroso, mas observar essa situação em uma criança é particularmente desagradável e pode acarretar preocupação, ansiedade, culpa, raiva e ressentimento.

Doença em Recém-nascidos
Um forte laço psicológico começa a desenvolver- se entre os pais e a criança nas primeiras horas após o seu nascimento. Essa vinculação é influenciada pelas próprias experiências dos pais durante a infância, pelo conjunto de informações culturais e sociais relativas à educação dos filhos, pela personalidade dos pais e pelo desejo e preparação psicológica ante ao fato de se tornarem pais. A vinculação afetiva garante que a criança receberá apoio suficiente dos pais para um desenvolvimento físico e emocional saudável.No entanto, a vinculação afetiva torna-se muito mais difícil quando o recém-nascido está doente ou é prematuro, sobretudo quando ele deve permanecer em um berçário de terapia intensiva. Os pais podem ser separados da criança por dias ou semanas e o estabelecimento da vinculação afetiva normal pode ser impossível durante esse período. Por essa razão, os pais e os familiares próximos devem visitar a criança freqüentemente, começando a fazê-lo o mais breve possível após o nascimento. Após lavar as mãos rigorosamente e de vestir uma roupa adequada (avental hospitalar), eles devem tocar ou segurar a criança o máximo que a sua condição permitir. Nenhum recém-nascido, mesmo aqueles submetidos à ventilação mecânica, está demasiadamente doente para não receber visitas e ser acariciado. O vínculo afetivo é fortalecido quando os pais podem alimentar, banhar e trocar as roupas da criança e quando a mãe pode amamentar, mesmo quando o lactente, a princípio, deve ser alimentado por uma sonda.Quando um recém-nascido apresenta um defeito congênito, os profissionais de saúde reunem-se com os pais para discutir o problema, os possíveis tratamentos e o prognóstico provável. Os pais devem visitar juntos a criança, o mais breve possível após o nascimento, independentemente de seu estado clínico.Quando um recém-nascido morre, os pais que nunca o viram ou o tocaram podem ter a sensação de jamais ter tido um filho. Essa sensação de vazio pode ser extremamente angustiante. Um ou ambos os pais podem apresentar uma depressão prolongada e profunda, pois eles têm dificuldade em assumir a morte de uma criança que nunca viram e o seu luto é incompleto. Os pais que não puderam ver ou segurar o filho enquanto ele estava com vida podem sentir-se melhor quando o fazem com a criança morta, embora seja uma experiência extremamente dolorosa. Além disso, os pais também sentem-se aliviados formulando questões ao médico e recebendo explicações sobre a doença da criança e dos cuidados que lhe foram prestados. Aqueles que perdem um filho freqüentemente têm uma sensação de culpa, a qual geralmente é inadequada e deve ser discutida.Quando a dor dos pais é extrema ou exageradamente prolongada, um apoio psicológico pode lhes ser útil. Quando existem fatores hereditários envolvidos, o aconselhamento genético deve ajudar os pais a comprender o risco deles gerarem uma outra criança doente.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

SEMANA 7 - SEMANA DA FAMÍLIA - CAPÍTULO 4


Façam a sua parte, mas não se culpem


Abordando a influência da família na doença mental, em diversos artigos que analisamos, podemos concluir que: além dos aspectos familiares que se reconhecem importantes na saúde mental de suas crianças, talvez a outra variável igualmente ou mais importante ainda, seja a constituição da personalidade dos próprios filhos.


Cabe aos pais...
– evitarem a omissão e ausência no seio familiar
– evitarem as tiranias e opressão
– exigir sem excessos: nem muito, nem nada
– não nutrirem fortes expectativas sobre os filhos
– não se interessarem tanto pelos filhos
– fazerem da separação uma ausência de diálogo no que tange aos filhos
– evitarem brigas na presença dos filhos
– não serem consumistas, valorizando menos as coisas materiais
– ensinarem os filhos a valorizarem o dinheiro pelo trabalho
– evitarem a limitação em demasia
– evitarem a camaradagem (não dando limites)
– tentarem ouvir e entender os filhos
– não interferirem muito na vida dos filhos e quererem saber de tudo
– evitar a proibição em excesso
– permitirem muito
– mostrar satisfação em relação às atitudes dos seus filhos
– criticarem positivamente os filho quando acharem que algo não está muito bom

Portanto, o potencial para um bom crescimento emocional e um satisfatório desenvolvimento psíquico da criança está centrado não só nesta flexibilidade, mas também nas possibilidades que a família tem de encontrar alternativas para a solução de seus problemas e dos problemas de seus filhos.


A observação clínica do dia a dia permite arriscar ser perfeitamente possível, existirem bons níveis de saúde emocional familiar, a despeito de expressões domésticas de agressividade, raiva e hostilidade e, por outro lado encontrarmos famílias com componentes psicóticos com expressivas manifestações de carinho, fraternidade, coesão, apoio mútuo, ternura e afeto.


Pais de crianças com problemas emocionais têm geralmente sentimentos de culpa. Estes sentimentos de culpa podem com frequência causar sentimentos de incompetência e ansiedade. Em lugar disso, devem se concentrar em proteger seus filhos de situações e eventos que são desagradáveis. A perseverança é muito importante, assim que devem estabelecer e aderir a uma rotina diária. Os pais dessas crianças devem tratar seus filhos de maneira calma, terem muita paciência, e não exigirem muito dos mesmos. Esses pais devem saber também que suas crianças não vão ter sempre este tipo de problemas. As situações da vida podem fortalecê-los, para serem pessoas maduras e felizes.

domingo, 16 de agosto de 2009

SEMANA 7 - SEMANA DA FAMÍLIA - CAPÍTULO 3

EDUCANDO PARA UMA SAÚDE MENTAL DA CRIANÇA
O ser humano quando nasce não sabe falar, não sabe andar, não se alimenta sozinho, e por intermédio da família e sociedade, passa por processos de aprendizagens conduzidos pela educação. Por meio desta, é dado ao indivíduo princípios e valores sociais para que assim consiga uma inserção social mais adequada. Educar é transferir conhecimentos, é usar o que alguém já desenvolveu, levando-se em conta o contexto vigente. Ao educar, pode-se transmitir conceitos como: coragem, temperança, amor, tolerância, humildade, humor, simplicidade, pureza, doçura, felicidade, prazer, dor, justiça, liberdade, paixão, raiva, inveja, ciúme e outros, que fazem parte dos pensamentos e sentimentos humanos. Educar é ensinar o que deve ser feito, e também o que não deve ser feito.
Todos precisam seguir regras, até como uma forma consensual de haver entendimento, para que não exista o caos nas relações humanas e, as leis de um meio ou nação, se cumpram.


Aprendendo disciplina pela motivação e transmissão da lógica de causa e efeito
A energia da criança precisa ser direcionada da forma correta, de forma disciplinada e equilibrada, para as coisas práticas, que lhe serão úteis. Nessa etapa, a depender do nível de conscientização do adulto que a assiste, ela aprende a ser naturalmente disciplinada, pela correta distribuição das atividades que lhe trarão frutos, no futuro.
A disciplina de cada um existe quando aprendemos a colocar ordem em nossas atividades, e compromissos, e em qualquer tarefa com a qual estejamos envolvidos. Disciplina não é cumprimento de horários, ou obrigações, ou aceitação de certos padrões. Isso não passa de simples interesse pessoal, motivado, na maioria das vezes, pelo desejo se obter algum tipo de vantagem, ou evitar algum tipo de constrangimento, o que dá no mesmo. A disciplina passa antes de tudo pela motivação pessoal, sem o desejo explícito por compensações, no cumprir de uma tarefa, pelo simples prazer de ver um trabalho, depois de iniciado, concluído, criando no indivíduo uma espécie de ordem interna, um sentimento de organização espontâneo, um compromisso para com ele mesmo. Desse compromisso nasce um forte desejo de ver seu trabalho realizado. A motivação passa pelo encorajamento, incentivo , definindo o porquê a criança está fazendo tal tarefa, qual a função da mesma, o que se espera como resultados, e quais os benefícios daquela ação. Se explicarmos às crianças a necessidade de realizarmos qualquer tipo de tarefa desde o principio, a disciplina pela prática de castigos e recompensas, torna-se coisa sem fundamento, sem necessidade.O elogio, sem ganhos materiais e sem exageros é, nada mais nada menos, que um reforço de uma atitude positiva.

Aprendendo disciplina pelo planejamento, baseado em eventos e escolhas
Descobrir as preferências de alguém, não significa que saibamos como pensam. O modo de pensar, determina, além das escolhas, aquilo que se imagina obter após essa escolha, e isso é impossível de se determinar através de deduções, especialmente quando de trata de uma criança. Ela possui um mínimo de informações em sua mente, e descobrir qual a lógica que emprega em suas escolhas, é para nós, sumariamente, impossível.
Mas, podemos conhecer o resultado de cada uma dessas escolhas com antecedência, o que para nós é uma vantagem. Isso vem através de nossa experiência de vida, coisa que elas ainda não possuem. Explicar-lhes o que pode acontecer após cada escolha, esse é o mais acertado caminho para ajudá-las a criar uma ordem lógica interna. Poderão facilmente comprovar aquilo que falamos, isso lhes dará a certeza de que estamos do seu lado.

Aprendendo disciplina pelos exemplos
Que exemplo podemos dar aos nossos filhos e alunos, senão nossa própria postura, nosso modo coerente de falar e agir, onde aquilo que é dito se transforma na respectiva ação, e nunca em promessas vazias, que apenas lhes servem de modelo para a desordem interna, desordem essa que logo será mostrada ao mundo em forma de ações. Se um pai ou uma mãe deseja melhorar seu filho, então deve primeiro melhorar a si próprio. Esta frase implica numa forma resumida de chamar a atenção dos pais para a importância de uma auto-disciplina, auto-educação, o que por meio do relacionamento com os filhos, possivelmente será transmitido e assimilado pelos mesmos, gerando comportamentos mais adequados ao que a família entende como bom.

Evitando condutas negativas
Evitar o lazer excessivo e a preguiça. A ociosidade trará ao longo do tempo, vícios, manias e hábitos nocivos, minando a disciplina e a moral no desenvolvimento da criança.
Evitar recompensas como meio de forçar a criança a cumprir qualquer coisa. Tais prendas, enfraquecem seu caráter, estimulam a preguiça e o desejo de ganhar pela lei do menor esforço. Isso contribui de forma dramática para que sejam fracas de vontade, ambiciosas, se tornem dispostas a usar de meios ilícitos para vencer os obstáculos. Uma criança que sempre precisa do estímulo de prêmios por tarefas cumpridas, mentalmente, jamais será criativa, nem solidária, nem comprometida com o bem estar da humanidade. Esse jovem, ou adulto, se relacionará com seus pares, apenas pela troca de favores pessoais, nunca haverá sentimento de cordialidade, afetividade, ou respeito entre eles.
A disciplina deve ser fundamentada no respeito e não no medo. A palmada, por exemplo, não ajuda. Não deixá-los brincar com seus brinquedos preferidos e deixá-los no quarto para pensar são algumas maneiras que podem ser usadas para mudar o mau comportamento. Mas ofereça à criança uma segunda oportunidade, não aplicando o castigo na primeira falha. Disponha de compreensão e flexibilidade no momento de reprimir um comportamento indesejado.
Não se deve reprimir um comportamento e logo depois permiti-lo. Os limites precisam estar claros para a criança.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

SEMANA 7 - SEMANA DA FAMÍLIA - CAPÍTULO 2

LIDANDO COM OUTRAS PERDAS...
Outra situação que exige, na família, demonstrações de afeto, amor, cuidado, carinho e respeito pelas crianças é quando os pais decidem a separação.
Nesta situação o casal tem de buscar toda a maturidade possível para encaminhar bem a reação dos filhos à nova fase que se inicia. E, por mais que os pais sejam cuidadosos, a rotina muda. Bebês ficam agitados, crianças pequenas voltam a fazer xixi na cama e crianças crescidas passam a dar problemas na escola. Separação não é só drama: se a decisão aconteceu, ajudar os filhos a encarar a nova fase será importante para todos.
O primeiro passo a ser encarado é não deixar que as próprias frustrações, ou mesmo um certo complexo de culpa atrapalhe a educação dos filhos.
É comum nesses casos que se acabem sendo fracos na educação, não impondo limites pensando em algo do tipo “coitadinho, já sofreu demais com a separação”. Fazendo isso, porém, acaba-se por desrespeitar outro direito dos filhos, que é a educação, e não há educação sem limites.
É muitíssimo comum também na separação de um casal, cada qual fazer comentários negativos sobre o outro diante dos filhos. E não há atitude mais insana e nefasta para os filhos do que isso. Na verdade, o pai ou a mãe que critica o outro diante do filho, no fundo denota uma postura egoísta, que não sabe amar o filho de verdade. É que, salvo raras exceções, o filho mantém vínculos afetivos muito fortes com o pai e com a mãe. Assim, quando se critica o outro, quem sofre é o filho, que apesar de tudo ama a ambos.
É possível manter uma educação saudável, apesar da separação se o pai e a mãe se esforçarem por lembrar das qualidades do outro e ressaltarem isso diante dos filhos. Afinal, não existe pessoa que somente tenha virtudes e outra que só tenha defeitos. Qualquer pessoa, por pior que seja, tem sempre qualidades que podem ser reconhecidas. E essas podem ser elogiadas e ressaltadas diante dos filhos, que com isso sentirão a segurança de que tanto precisam. Terão então olhos para enxergar que os pais, apesar de tudo, os amam de verdade. E, repita-se, não demonstra que ama de verdade o filho o pai ou a mãe que não respeita o outro, seja qual for o motivo da separação
Coma ajuda de especialistas, podemos dizer que há uma forma de preparar a criança conforme a idade dela. Vai depender da fase do desenvolvimento, da dinâmica da família e, claro, de como isso será conduzido pelos adultos. Por isso, cada faixa etária pede um tipo de cuidado e uma abordagem. Dividimos aqui as reações mais comuns e uma série de orientações baseadas nas idades das crianças. É claro que isso pode variar muito, mas serão dicas preciosas nesse delicado momento familiar. E mais: a separação do casal não precisa ser motivo para mais culpa em relação aos filhos. Mas deve ser encarada com responsabilidade e como uma nova chance para todos.

PARA CRIANÇAS DE 0 A 2 ANOS
É uma fase de adaptação, e o bebê, como uma esponja, absorve tudo ao seu redor. Especialmente nos primeiros meses de vida, a mãe é seu universo e o que ela sente reflete diretamente na saúde e no estado emocional do filho. Quando a separação acontece neste período, ela tende a ficar mais frágil ainda: a mãe perde o acolhimento e a proteção que costuma receber do marido.
Noites mal dormidas, comportamento irritadiço, mudanças no apetite e sintomas como dor de barriga, mal-estar e febre sem motivo aparente são algumas das respostas dos bebês a essas mudanças. Convém evitar conversas tensas ou mesmo agressivas diante dele (mesmo que ainda não tenha um bom entendimento das palavras, ele pode notar o tom). Se a mãe ainda estiver amamentando, que as visitas do pai não atrapalhem esse momento. Manter o ambiente de casa tranqüilo e respeitar a rotina da criança é essencial. Com os mais crescidos, a separação pode desencadear desânimo, redução do interesse por brincadeiras e atividades rotineiras. É nesta fase também que o universo do bebê passa a não se restringir mais à mãe e o pai começa a desempenhar um papel diferente para ele. Por isso é importante que a distância não destrua o vínculo entre eles. Aproveitando que as mamadas são menos freqüentes, as visitas podem ser um pouco mais prolongadas. Mas o ideal é que não passe, por exemplo, um final de semana inteiro longe da mãe. Uma opção seriam encontros durante a semana, mais breves. Nesses momentos, o pai pode, inclusive, ter a ajuda da mãe, da irmã ou de alguém com experiência, até mesmo a babá. Porém, é fundamental que ele converse com a mãe da criança para os detalhes da rotina.

PARA CRIANÇAS DE 2 A 6 ANOS
Diante da separação, a criança pequena costuma fazer perguntas como “cadê o papai?”,“por que a mamãe não está aqui?”, “por que vocês brigaram?” etc. Suas dúvidas e inseguranças, no entanto, vão além do que perguntam. Existe o medo do abandono,da perda do amor do pai ou da mãe e um sentimento de culpa. O psicólogo Ricardo Muratori explica que nesta fase predomina a fantasia: a criança acredita que o que ela pensa acontece. Entre os meninos, por exemplo, é comum desejarem a mãe só para si em um momento e, em seguida, identificarem-se mais com o pai. “Quando a separação acontece diante desse conflito afetivo, vem a culpa, a idéia de que foram seus desejos que desencadearam todo o processo”, afirma. As crianças também podem regredir em relação a aquisições já feitas (voltam a fazer xixi na roupa, não articulam as palavras tão bem quanto faziam, por exemplo). Podem demonstrar raiva, angústia, agressividade, ter choros freqüentes e birras mais acentuadas, alterações de sono e de apetite, dores de cabeça, vômitos e febres. Na hora de ir à escola, podem surgir dúvidas do tipo: “Se meu pai já saiu de casa e me deixou, será que minha mãe vai voltar para me buscar?”.
Para acalentar essa criança e acalmar seus conflitos emocionais, é preciso muita conversa. Ela tem de perceber o interesse dos pais em seus sentimentos.“Verbalizar colocações como ‘entendo que você esteja triste e que esteja sendo difícil’ é positivo, pois ajuda a criança a se sentir compreendida e amparada”,diz a psicóloga clínica e educacional Celise Govêa. É importante ainda a criança ter um canal pelo qual expresse, ainda que inconscientemente, seus sentimentos. Podem ser desenhos, jogos, brincadeiras, livros, simulações feitas com seus brinquedos e bonecos. Que haja, enfim, um espaço em que ela expresse simbolicamente a raiva que sente dos pais, a sensação de abandono ou o que estiver em seu inconsciente. A criança provavelmente não entende tudo o que está acontecendo, mas, enquanto empurra carrinhos, dá banho em uma boneca ou anda de bicicleta, ela projeta seus sentimentos e elabora os conflitos que está vivendo. Nesta idade há uma série de novidades que envolvem outras decisões importantes quanto à educação. Como a escolha da escola, por exemplo. É importante que seja uma questão de comum acordo, e que ambos participem desde a fase de adaptação até as reuniões com professores. Mas é no dia-a-dia, perguntando detalhes, que acriança vai sentir a presença dos pais.

PARA CRIANÇAS DE 7 A 10 ANOS
A partir dos 7 anos, as crianças conseguem formar conceitos, percebem o que está acontecendo, têm um julgamento mais apropriado da situação. Tendem a fazer muitas perguntas e a manifestar tristeza e descontentamento de maneira clara e direta. O que elas precisam? De colo.
A psicanalista Miriam Chicarelli Furini afirma que, quanto maior a criança, maiores são suas condições psíquicas para lidar com a ruptura. Mesmo assim, há o sofrimento, claro em sintomas como distúrbios de sono, alterações no comportamento, irritabilidade, desejo de se isolar, mudanças no apetite.
A escola é uma boa vitrine. Atitudes mais agressivas com amigos e professores, comportamentos mais agitados, isolamento e queda no desempenho são alguns sinais de que a criança não está bem. Por isso é fundamental que a escola seja informada do que está se passando em casa.
A rotina da criança e seu círculo social, de qualquer forma, devem ser mantidos.É importante para ela, nesta fase, ir à escola, preservar relacionamentos com amigos, ter a chance de trocar experiências, tirar a mente um pouco do ambiente familiar e sustentar as responsabilidades do dia-a-dia. Bem como é fundamental manter os eventos sociais familiares, de ambas as partes. Se o dia da festa calhar de ser em final de semana ou dia em que o combinado seja estar com o outro pai, é hora de negociar encontros substitutos. Tudo pela convivência.
No geral, tente sempre conversar. É importante deixar a criança expressar sua tristeza, sem pressioná-la para reagir positivamente. Além de falar, a criança deve ter outras maneiras para expressar seus sentimentos, extravasar, deixar fluírem suas emoções. Isso pode acontecer por meio da prática de um esporte, em atividades com arte e música e até por meio de brincadeiras. Os pais têm de ficar atentos a isso e, se notarem a criança demasiadamente fechada, uma terapia pode ser uma boa alternativa.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

SEMANA 7 - SEMANA NACIONAL DA FAMÍLIA - CAPÍTULO 1


Dentre os diversos valores humanos na família, gostaria de iniciar esta semana abordando o amor, a solidariedade e o respeito diante de um assunto desconfortante e não menos importante: a criança perante questões sobre a vida e a morte.
Quando os filhos questionam seus pais, ou quando acontece uma morte na família, algumas perguntas costumam vir à tona.
Desde pequena as crianças têm consciência da existência da morte, embora essa consciência possa não ser identificada pelos adultos, pois é expressa com os recursos disponíveis pelas crianças.
Por volta dos 4 anos de idade, muitas crianças fazem perguntas sobre a morte aos seus pais.
Até aproximadamente os 6 anos de idade, as crianças se angustiam com o tema da morte, pois é a idade da vinculação, de se ter consciência da possibilidade da perda de uma pessoa amada, e de se ter os vínculos rompidos. Nem sempre elas falam de morte, mas podem representá-la lúdica ou graficamente. Quando verbalizam, o fazem com naturalidade, e, depois de obter a resposta que buscavam, continuarão com seu almoço, seus jogos, ou seu filme. Nós, os adultos, é que nos angustiamos. A tarefa de falar sobre isto é facilitada quando o assunto é tratado com o máximo de naturalidade, através da valorização da vida.
Além das crenças religiosas que cada família deve transmitir, existem verdades, compartilhadas com todos, e que não podem deixar de dizê-las.

Explicando o significado da morte
Morrer é terminar de viver. As explicações como “se foi”, “está no céu”, ou “desapareceu”, “o perdemos”, não são tranquilizantes se não se explica claramente que na verdade se trata do final de uma vida.

Explicando quando a morte acontece e em que situações
Não devemos enganá-las dizendo: “quando a gente estiver velhinho”. Sabemos que, lamentavelmente não é sempre assim: bebês morrem, crianças, jovens, adultos e velhos. Morremos quando a vida acaba. Tudo o que nasce, morre.
Mostrar às crianças que nem os adultos sabem o momento de cada um, nem como ocorrerá e nem o que existe após a morte é importante para elas ficarem menos confusas. Os pequeninos precisam saber que o corpo sem vida fica no cemitério, onde se localizam as tumbas e no lugar está escrito o nome, sobrenome, data de nascimento e de falecimento , e que lá podemos visitar os entes queridos que morrem.
Orientando como podemos aceitar melhor a perda
Poupar as crianças do sofrimento causado pela morte pode gerar dificuldade de lidar com perdas, o que significa problemas e sofrimento ao longo de sua vida. Não devemos subjugar as crianças como se não estivessem compreendendo o que esta acontecendo. Usar termos para explicar a morte como “ele está dormindo” pode gerar pensamentos confusos na criança, acreditando que a pessoa acordará.
Omitir-lhe a verdade seria algo grave, seria como ignorá-la só porque ela não fala como os adultos, como excluí-la da família, e pior ainda, se as pessoas mais próximas em que ela deposita toda sua confiança não forem capazes de falar sinceramente sobre a morte, ela tomará isso como um modelo a seguir e nem ousará perguntar à respeito daquilo que sua percepção lhe diz.
Alguns parentes falarão da alma (devemos tomar cuidado com as expressões afim de que a criança não a busque em um lugar físico e concreto, temendo sua aparição). Outra maneira de respondê-las poderia ser: “ficam as fotos, as recordações, tudo o que nós e aqueles que o conheceram, vivenciamos com ele, ficam as imagens dos momentos compartilhados junto a ele e fica a marca que deixou em nossas vidas”.
Se a criança estiver bem amparada, terá mais chances de elaborar da forma mais sadia possível o momento do luto. Estar perto, falar a respeito e ouvir, já é positivo.

Outros aspecto importantes
Cada criança, frente à morte, poderá agir de forma diferente, por exemplo: chorar, rir, ficar apática ou simplesmente negar, como se não existisse morte alguma. São mecanismos de defesa contra o sofrimento que o desenlace está causando. Devemos respeitar, no mínimo, a maneira que as crianças encontram para superar o momento da morte.
Quando as crianças não fazem perguntas sobre a morte de um ser querido, pode também significar que as mesmas percebem que formular este tipo de questionamentos provocaria angústia e incômodo nos adultos
.

Nota: esta postagem foi em homenagem ao querido cirurgião plástico Dr José de Oliveira Barra e à sua família maravilhosa.

domingo, 9 de agosto de 2009

SEMANA 6 - SEMANA MUNDIAL DE AMAMENTAÇÃO - CAPÍTULO 5

DESMAME PRECOCE

A Mulher fora do lar/ mulher
trabalhadora
Atualmente muitas mulheres
vêm assumindo o papel de chefes
de família, somando-se ao de mãe,
esposa e filha, não tendo muito
tempo para amamentar. Além do
estresse emocional que esses papéis
acumulam, também se prejudica a
amamentação.
A respeito, parte das entrevistadas,
respondeu que o motivo do
desmame precoce de seus filhos
foi a volta do trabalho fora do lar.
A pressão social, resultante das
transformações econômicas e da
crescente inserção da mulher no
mercado de trabalho, que compõe
um cenário favorável ao desmame,
se fez perceber ao longo do tempo. Assim
é que mães que não trabalhavam
fora do lar tiveram uma chance significativamente
maior para o aleitamento
materno e uma tendência
de associação em relação ao aleitamento
materno exclusivo.
O trabalho foi revelado como
elemento dificultador ou impeditivo
para a amamentação.
As mulheres demonstraram
uma grande dificuldade em conciliar
as múltiplas atribuições, o
que se transformou, inclusive, em
motivo de angústia e preocupação,
sentimentos que impactam negativamente
na fisiologia da lactação.
Atualmente, as mulheres brasileiras
empregadas no mercado formal
de trabalho têm quatro meses
de licença à maternidade remunerada.
Quando retornam ao emprego,
têm direito a dois intervalos de
meia hora, mas para serem efetivos
estes intervalos deveria haver creche
no local de trabalho. Por isso, a
maioria das mães prefere desfrutar
da concessão de sair uma hora mais
cedo do trabalho em razão da distância
entre o local de trabalho e
sua residência.
É importante que a mãe tenha
consciência de que a amamentação
é uma das experiências mais gratificantes
para as mulheres e que
se deve empenhar-se para que ela
seja mantida o máximo de tempo
possível.

Nota-se uma contradição entre
os seis meses de aleitamento materno
exclusivo, recomendados pelo
Ministério da Saúde, e a licença
à maternidade de quatro meses vigente,
sendo que esta lei passa por
alterações. As mães começam a
introduzir outros alimentos pouco
tempo antes de voltar ao trabalho
para que seus filhos vão se acostumando
ao novo hábito alimentar.
Cabe ressaltar que, em relação à
ordenha e armazenamento do leite
materno, as técnicas não são ou são pouco usadas. Esta
prática seria a solução para a continuidade
do aleitamento materno
exclusivo às mães que trabalham
fora do lar, no entanto não é praticada
pelas mães nem orientada
pelos profissionais de saúde.

ORDENHA MAMÁRIA NO BANCO DE LEITE HUMANO
A ordenha mamária deverá ser feita pelo profissional do Banco de Leite até que a mãe possa fazer sozinha.
· Retirar anéis, pulseiras e relógios.
· Lavar mãos e antebraço fazendo cuidadosa limpeza das unhas com sabão e água corrente.
· Secar as mãos com toalha descartável.
· Fechar torneira com a própria toalha.
· Vestir avental.
· Friccionar as mãos com álcool a 70%, glicerinado ou não, durante 30 segundos.
· Dispor de frasco estéril sobre a mesa para coleta do leite humano.
· Calçar luvas de procedimento.
· Explicar a técnica de ordenha manual a ser seguida.
· Massagear toda a mama no sentido aréola - tórax em movimentos circulares.
· Massagear toda a mama no sentido da saída do leite (tórax - aréola).
· Iniciar expressão manual, desprezando os primeiros jatos de leite para evitar contaminação.
· Colocar o frasco abaixo da aréola, deixando a tampa na mesa com a parte estéril para cima.
· Realizar expressão suavemente para promover a saída do leite diretamente no frasco.
· Fechar o frasco.
· Rotular o frasco com o nome da doadora, número de dias pós - parto, data, local da ordenha e nome de quem realizou a ordenha.
· Armazenar o leite por 24 hs na geladeira e, quando for administrar, aquecê-lo em banho-maria, para não perder as propriedades nutricionais.



sábado, 8 de agosto de 2009

SEMANA 6 - SEMANA MUNDIAL DE AMAMENTAÇÃO - CAPÍTULO 4

Dúvidas mais freqüentes das mães em relação à amamentação

Leite fraco ou pouco leite
Dois terços do leite é produzido durante a sucção, apenas 1/3 é armazenado, portanto mama vazia não significa ausência de leite. Não existe leite fraco. O mesmo pode variar de cor, mas todos são adequados sob o ponto de vista imunológico e nutricional. Quanto ao pouco leite, muitas vezes é apenas uma percepção errônea da mãe. Com freqüência o choro do bebê é interpretado como fome. E muitas vezes esse choro é causado por algum desconforto do bebê ou simplesmente trata-se de uma forma de solicitar aconchego e proteção. É uma “fome de afeto”. Na maioria das vezes em que há uma diminuição real da produção do leite, esta está relacionada com técnica incorreta de amamentação ou ainda ao uso de chupetas ou mamadeiras. Se a criança não mama com uma técnica correta, ela pode ingerir menos leite e não esvaziar adequadamente a mama. Como conseqüência, a mama passa a produzir menos leite e a criança, por não ficar saciada, vai fazer intervalos menores entre as mamadas. Aí surge a insegurança da mãe e a associação com leite fraco. As chupetas e os bicos de mamadeira podem interferir na amamentação, pois podem confundir a criança, já que o tipo de sucção é completamente diferente da sucção ao peito. Além disso, sabe-se que as crianças que chupam chupeta mamam menos no peito, ou seja, há um menor estímulo da mama, e conseqüentemente, uma menor produção de leite. Portanto, atualmente, não se recomenda o uso de chupetas e mamadeiras. É uma recomendação internacional.
Cirurgia para redução da mama interferindo na amamentação Existem estudos que mostram claramente o quanto a cirurgia redutora pode influir negativamente na lactação. As mulheres com cirurgia praticamente não conseguiram amamentar exclusivamente e a duração do aleitamento materno foi muito menor quando comparadas com mulheres semelhantes, porém sem cirurgia prévia.Quanto ao silicone é diferente, pois a cirurgia não corta inervação, nem mexe no mamilo.
Amamentação evitando nova gravidez
Nos primeiros seis meses após o parto, se a nutriz (lactante) estiver amamentando exclusivamente e não menstruar, a chance de engravidar é de apenas 0,5 a 2%. Normalmente na mulher em idade reprodutiva a hipófise, que controla a fertilidade, manda todo mês ordens hormonais para o útero, mamas e ovários, dizendo-lhes que se preparem para engravidar. Após o parto, o estímulo hormonal comandado pela hipófise fica desorganizado pelos efeitos da sucção ao seio, demorando mais tempo, para ocorrer a ovulação que pode acontecer aos 3 – 5, 6 meses; dependendo da freqüência das mamadas. Sabe-se hoje, que a mulher que só dá o leite do peito no primeiro semestre de vida do bebê ficará por mais tempo sem ovular e sem menstruar. Recomenda-se a adoção de um método anticoncepcional complementar como a camisinha (masculina ou feminina), o DIU, diafragma ou a minipílula, após o 6º mês de vida do bebê ou quando a mulher não está mais amamentando exclusivamente ou menstruou. Converse com o seu obstetra sobre o LAM – Método de Amenorréia Lactacional.
A hora do desmame

O ideal é que o bebê receba apenas leite materno até o sexto mês de vida. Depois disso, você deve amamentar por quanto tempo você e seu bebê desejarem, lembrando que todos os benefícios continuam após o sexto mês e quanto mais você amamentar, mais seu filho ficará protegido. Hoje em dia, a OMS, o UNICEF e o Ministério da Saúde afirmam que o Aleitamento pode continuar até os 2 anos. Após os seis meses a alimentação será completada com um cardápio saudável, sem a necessidade de leites infantis em mamadeiras. As chupetas são desnecessárias e prejudiciais, exceto em raros casos.
Direitos da mulher que trabalha fora em relação à amamentação
Segundo a legislação brasileira, a mulher que trabalha fora tem o direito à licença-maternidade de 120 dias (4 meses) a partir do oitavo mês de gestação ou após o parto. Depois deste período, o direito de amamentar durante a jornada de trabalho é de dois meses. Caso não tenha creche ou banco de leite no local de trabalho, pode-se negociar que a nutriz tenha uma hora a mais de almoço (caso ela more perto do trabalho) ou que saia uma hora antes. É importante lembrar que toda empresa com mais de 30 mulheres tem que ter creche. O pai também tem direitos: 5 dias de licença paternidade – ainda é pouco, mas dá para trocar umas fraldas e preparar uns lanches gostosos para a mãe de seu novo filho !